Hoje cheguei em casa cansado, mas feliz. Comecei a trabalhar em um novo projeto do Senac e senti um prazer enorme como não sentia há bastante tempo. Dei uma aula daquelas que faz todos os alunos ficarem olhando para você sem piscar e com cara de "quero mais". Até eu saí com cara de quero mais. Resolvi dormir cedo, estava cansado, mas satisfeito. O descanso seria o meu prêmio pela aula dada hoje. Até que o telefone tocou. Um aluno, chorando, para comunicar que um amigo de classe tinha falecido e que outro aluno, que estava com ele (foi um acidente de moto) está internado em estado grave. Meu descanso acabou. Senti as lágrimas aparecerem e correrem pelo meu rosto. E agora estou aqui, sem sono. Antes de ir ao Senac hoje, dei os dois últimos tempos de aula para o Luã, no Centro Educacional Souza Madeira. Os dois últimos tempos de aula da vida dele. "Professor, libera a gente aí mais cedo." Eu respondi: "Claro, pois em janeiro compensaremos esse tempo na recuperação". Ele riu. Eu ri junto. Gostava dele de graça. O aluno que sempre me fez rir hoje me fez chorar. Amanhã tenho que voltar ao colégio e não sei como será consolar a turma do 2º ano. Pra piorar, ainda tem o Gustavo, internado, hospitalizado. E nós, impotentes, apenas com as nossas orações. Preciso de forças, não sei como agir.
Saudades eternas - Luã Ribeiro